Como tentar
entender um sentimento tão grande? É possível definir este sentimento
devastador? A saudade é um sentimento difícil de se explicar, mas fácil de se
sentir. Às vezes aperta o coração, nos faz chorar, nos entristece. Sentimos
saudades do amigo que se foi, do pai, mãe, avô, avó, primo, tio. De entes
queridos que partiram para outra existência. Sentimos saudades da primeira
namorada, do primeiro marido, do primeiro dia de aula, do primeiro beijo, do
primeiro abraço. Saudade da bronca, da voz amorosa de um amigo. Sentimos
saudades do bom dia dado, do olhar transmitido, daquela viagem maravilhosa,
saudade de casa, do cachorrinho, saudade daquele papel escrito com letras
garrafais que dizia EU TE AMO. A escola, aquele tênis, a novela favorita, simplesmente
sentimos saudades.
Olhamos no
âmago de nossa existência e percebemos que as coisas acontecem e nos deixa
saudade, não só na causa boa, mas também em péssimas lembranças ficamos
remoendo tecendo ódios e rancores. Quem ama, sente saudade, quem gosta, sente
falta. Se pudéssemos definir a saudade, em outra palavra, seria falta. A falta
é aquele vazio que em algum momento cria lacunas e espaços no tempo e na nossa
vida. Uma pessoa que deixou um enorme vazio porque foi embora, e agora? O que
vou fazer sem você aqui? Como vai ser minha vida sem seu abraço? Seu sua
benção? Ele se foi e só nos resta a saudade.
Este
sentimento machuca, dói, fere. Aí nos pegamos na lembrança dos bons momentos
vividos, das conversas, dos diálogos e percebemos que ele, que se foi, se torna
mais próximo, porque o amor é capaz de superar as mais tênues barreiras do tempo,
e quando a pessoa não está mais presente fisicamente, é aí que ela estará mais
viva em nossa memória. Às vezes somos egoístas em querer deixar que as coisas perpetuem
em nossa vida, mas não podemos. Para cada coisa que chega, é preciso que outra
vá embora. Mas a saudade fica, oxalá se pudéssemos esquecer aquele amigo que
tanto amamos e que não quis mais estar com você, aquele primeiro amor que te
“trocou”, que não te quis, aquele momento que nunca mais poderá se repetir
porque o outro não esta mais aqui. Nossa felicidade não está apenas nestes
momentos que passaram. Ela está em nós mesmos. Mas a danada da saudade impede
de vivermos e superarmos estes inúmeros vazios que ficam.
E como
preencher este vazio? E como não sentir saudade? E como não continuar amando e
dando afeto àquele que tanto amamos e que não está mais aqui? Como deixar a
saudade de lado e tentar racionalizar as coisas? Sinceramente, não é possível.
Aquele vazio da pessoa que se foi nunca vai ser preenchido por outro. Podemos
amenizá-lo rezando, e lembrando bons momentos sem dar lugar à tristeza. Não é
possível deixar de sentir saudade, porque, querendo ou não, ela nos faz bem,
porque nos aproxima de tanta coisa que nos ajuda a crescer. Mas não podemos
viver no saudosismo, porque aí corremos o risco de ficar enraizados no passado
e perdendo as maravilhas do presente e as surpresas do futuro. Não deixamos de
amar, nunca, simplesmente amenizamos a falta. Não podemos deixar de sentir
saudade porque ela esta aí e quanto mais tentamos fugir, quanto mais queremos
evitar, ela chega deixando grandes dores. Tudo é uma questão de adaptação. Não
é fácil, ninguém disse que seria fácil nossa missão. Mas para cada cruz
carregada, uma glória vencida.
Precisamos, à
luz da sabedoria, trabalhar internamente esse sentimento. O que impede de
escrever para o amigo distante? O que impede de tocar a vida? Que direito temos
de nos martirizar pelo outro que não nos quis? Pelo outro que nos rejeitou? Foi
ele. Ele que se foi e não eu, eu não posso permitir que isso me tire a paz, que
isso me destabilize, criando assim sentimentos tenebrosos.
Só quem ama
sabe o significado e a dor que é esta palavra SAUDADE. Não apenas dor, mas alegria.
Como é bom receber um bom dia de quem gostamos, como é lindo e maravilhoso
receber um elogio e perceber o quanto é importante para o outro, como é
formidável ser lembrado pelos amigos. Saudade de ouvir sua voz, do seu sorriso,
de estar ao seu lado e viver aquele momento novamente. Saudade de tudo. E nos
pegamos no egoísmo de perpetuar as coisas, por isso é preciso amadurecer a
duras penas para não cairmos no vazio e na insignificância da vida.
Deixemos claro
que a saudade vai existir e precisamos estar firmes para podermos encarar a
ausência. Olhar para o passado e ver o quanto foi bom estar ao seu lado, e que
agora não estará mais presente. Mas nada impede de dizer um “oi” pelo facebook
ou pelo whatsapp, ou, à moda antiga, mandar uma carta. Nada nos impede de ver
uma foto e rir ou chorar daquele momento. Deixar o outro ir embora e ocupar o
lugar no tempo que ficou é uma maturidade que aos poucos vamos entendendo. Cada
coisa acontece no seu tempo e deve ficar no seu lugar. Se quisermos eternizar,
nunca seremos felizes, porque, para cada tempo, o seu momento. Por isso devemos
estar hoje ao lado de quem amamos, pois pode ser a última vez que a vejamos,
porque o trem da vida passa e não sabemos quando ela vai desembarcar e nos
deixar sozinhos.
Para não
sentirmos a dor da saudade, a dor de não ter feito, faça, ame, cuide, viva,
sorria, chore, entristeça e se alegre. Respirar fundo e olhar para frente é o
melhor remédio para a saudade. Só quem não sente saudade não sabe o significado
do amor. Porque quem ama sente falta, sente saudade.
E você, sente saudades?
Envie sua carta para: guiguicaiado@gmail.com / gcfilosofia@gmail.com / Facebook: Guilherme Caiado
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